Eu e as eleições

Apesar dos meus 26 anos, essa é a segunda eleição na qual voto. A primeira foi 2002, e durante as outras eu estava no exterior. Na de 2002, não via muita diferença entre Serra e Lula, então votei no Serra para haver o segundo turno, e neste, votei no Lula, porém, sem a menor convicção de ter feito a escolha certa.

Mas pode-se dizer que minha história com as eleições começou antes, em 94. Os “planos Collor” junto com outros problemas deixaram minha família em situação financeira bem difícil. E a solução encontrada foi meu pai e minha irmã irem trabalhar no Japão. Até 98 a familia seguiu dividida, meu pai ajudando financeiramente do Japão, e minha mãe tantando dar alguma estabilidade para a gente aqui, mas nada dava certo. Resultado: foi toda família para o Japão.

Fiquei lá até 2000/2001, quando voltei com meu pai para o Brasil, mas novamente nada dava certo. Aguentamos o quanto pudemos, até que em 2004, vi que não dava mais e resolvi voltar para o Japão. Algum tempo depois meu pai acabou indo também.

Passaram-se 4 anos, eu estava bem lá, tinha uma vida confortável. E talvez não voltasse para o Brasil tão cedo se não fosse a crise. Aquela, que aqui só chegou como uma marolinha, mas que lá no Japão foi devastadora, e o país ainda tenta se recuperar dela.

E foi na crise que ocorreu algo estranho. Em de 94 a 98 e começos dos anos 2000 (governos Itamar/FHC), nada dava certo e a solução para sempre foi o exterior. Mas com o Japão afundando, pelo primeira vez o Brasil surgiu como solução. Voltei para cá começo de 2009, e hoje tenho estabilidade, estou em uma faculdade pública e trabalho na própria faculdade, em um projeto da Petrobrás ligado ao pré-sal.

Consegui em um ano o que minha família não conseguiu tentando mais de uma década. Foi incompetência/azar dos meus pais, e competência/sorte minha? Ou o país realmente mudou, e está criando mais oportunidades?

O simples fato de antes só ver problemas no país, e depois ver ele como solução, já responde a essa pergunta.

Esses dias, quando meu pai soube que eu votei na Dilma, perguntou se eu mudei de lado, pois ele acreditava que eu sempre votei no Serra. E a verdade é que eu não mudei de lado, porque não sou Petista assim como nunca fui PSDBista. Por exemplo, apesar de ter votado Dilma, não queria que o Netinho se elegesse, mesmo sabendo que no lugar dele iria alguém da oposição.

Partido não é como time de futebol. Você não é obrigado a votar só em um, aliás melhor seria se as pessoas não votassem nos partidos, mas sim nos candidatos. Mas ao invés disso, tratam PT e PSDB com uma rivalidade equivalente a São Paulo X Corinthians ou Fla X Flu.Votar na legenda é de uma idiotice tremenda, pois quem decide como usar seu voto é o partido, e sempre haverá tanto pessoas boas como ruins nele.

Demonizam o PT pelo mensalão, mas não param pra pensar que os que recebiam eram deputados de outros partidos. Afinal, por que pagariam para deputados petistas aprovarem projetos do Lula? E no enquanto, em quem essas pessoas que criticam o mensalão votam? Votam no Tiririca, no Romário, Garotinho, etc… ou na legenda, que pode eleger alguém do partido que você nem sabe quem é.

E as pessoas ainda reclamam que não tem opção para votar. Vocês estão olhando para o lugar errado. Não se enfrenta a corrupção trocando o Presidente, a mudança é de baixo para cima. Em 2002 tem novas eleições, então escolham bem seus vereadores.

 

    • Erica Akira
    • 9 novembro, 2010

    Olá Renex!
    Feliz em saber que as coisas estão dando certo prá ti! Aqui no outro lado do mundo estamos tentando nos reerguer, posso dizer que do fundo do poço conseguimos sair (à lá mineiros do Chile huahauhauahua).

    Estou comentando para concordar contigo: mudanças são de baixo para cima.
    Voto é cidadania, primeiro a gente cuida da nossa casa, depois da nossa rua, então de nosso bairro (vereadores), nossa cidade (prefeitos) e assim se segue.

    Não adianta chorar se a Dilma é ruim e o Serra pior (ou menos ruim, depende do ponto de vista) se o Zé Povinho não sabe nem quem representa seu bairro, e não se importa com a própria rua que vive.

    Beijos!

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